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Categoria -Inspirações

Escolas Inovadoras (parte 1)

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Estamos vivendo um período de grandes mudanças, onde áreas das mais diversas estão em constante inovação para se adequar aos novos tempos. E a educação, por mais que tenha uma estrutura escolar ainda rígida, centralizadora e pautada em disciplinas, também possui exemplos de escolas que vem repensando suas práticas, e inserindo propostas mais alinhadas ao desejo dos estudantes e da comunidade escolar. São exemplos brasileiros como estes abaixo que tem mostrado que é possível fazer diferente e com resultado. Veja só:

Escola da Árvore

Localizada no Núcleo Rural Jerivá, Lago Norte, em Brasília, a Escola da Árvore busca entender a criança em sua unidade. Segundo a pedagoga e idealizadora do projeto, Letícia Araújo, cada criança que chega à escola requer atenção e um olhar, e isso é a solução para que a escola fique em movimento, sempre aberta para a diversidade.

A instituição atende 36 crianças, dos 7 meses aos 6 anos de idade e suas práticas educativas consideram elementos como a natureza, construindo um laço afetivo entre as crianças e o cerrado; o movimento, entendendo-o como mecanismo para autonomia e criatividade; e a diversidade em suas inúmeras expressões, como gênero, raça, social e cultural.

Escola Vila Verde

Na Escola Vila Verde, localizada no Alto do Paraíso, em Goiás, a atuação é parecida à da Escola da Árvore. A pedagogia de projetos surgiu como uma alternativa para que a escola pudesse dialogar com o desejo dos estudantes, respeitando a autonomia estudantil e incentivando o desenvolvimento da segurança e autoconfiança.

Sua metodologia parte de cinco inteligências: acolher, oferecer, estruturar, destruir a negatividade e liberar. A orientação é realizada por professores tutores que lecionam todas as disciplinas, sem fragmentação, método que entendem favorecer a aprendizagem coletiva e também a troca de saberes entre todos.

Fontes:
http://porvir.org/educadores-centro-oeste-compartilham-experiencias-criativas/

 

Conscientização em praça pública

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A cidade de Conceição do Araguaia, no Pará, tem muitos casos de Leishmaniose, tanto em cães quanto em humanos. A doença, transmitida por um mosquito e também conhecida como calazar, é a segunda doença parasitária que mais mata no mundo, atrás apenas da malária. E a melhor armar para evitá-la, é sempre a conscientização. É isso que busca a professora Rosa Duarte Almeida.

Formada em biologia, ela participou do curso da Secretaria de Vigilância em Saúde chamado “Leishmaniose Visceral no Brasil: diagnóstico e tratamento”, que lhe auxiliou a compreender melhor a doença e assim transmitir um conhecimento completo sobre ela.

A partir disso, ela desenvolveu um projeto sobre o tema com seus alunos, do ensino fundamental 2 até o terceiro ano do ensino médio. O primeiro passo foi comum a todos, onde ela explicou sobre o projeto e sobre a doença. Após, cada turma fez uma atividade que foi adaptada de acordo com o conteúdo programático do ano letivo.

O sexto ano, por exemplo, fez desenhos de cães afetados pela doença. Já o primeiro ano do ensino médio, fez uma maquete do ambiente onde o mosquito se desenvolve, mostrando que as pessoas não devem deixar acumular lixo, folhas ou fezes de animais, como galinhas, nos quintais. Para o terceiro ano do ensino médio, ela deu uma atividade onde os alunos deveriam fazer a classificação do protozoário que causa a doença.

Para o oitavo ano, que estuda o corpo humano, a atividade proposta foi de produção de cartazes mostrando os órgãos afetados. Para ajudar na explicação sobre a doença, Rosa levou a réplica de um tronco humano para a aula, afim de mostrar os órgãos e explicar que os sintomas da Leishmaniose se manifestam no baço e no fígado, dando o aspecto de inchaço à barriga do doente.

Após a realização das atividades, foi feita uma exposição em praça pública, no centro do município. O resultado foi uma maior participação do público, que conferiu os trabalhos e trouxe exemplos de pessoas que ficaram doentes, mas não tinham conhecimento de como a doença era transmitida, por exemplo.

Fontes:
http://porvir.org/professora-leva-alunos-praca-publica-para-combater-leishmaniose/
http://www.msf.org.br/o-que-fazemos/atividades-medicas/leishmaniose

Meditação como reflexão dos erros

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João era um aluno muito levado e estava sempre aprontando uma aqui, outra ali. O castigo era rotina para ele, mas não trazia consequências positivas para seu aprendizado. João é um personagem fictício, mas com certeza você já se deparou com esta situação em sala de aula. Se, para muitos educadores, o castigo é a solução, não é mais o que pensa uma escola de ensino infantil de Baltimore, nos Estados Unidos.

O pensamento da escola Robert Coleman é de um processo de acolhimento do outro, consciência do erro, concentração e tranquilidade, substituindo a punição por sessões de meditação. O resultado foi a melhora na relação entre os alunos e a diminuição da taxa de suspensões.

O projeto foi implantado na escola em parceria com a organização sem fins lucrativos “Holistic Life Foundation” e recebeu o nome de “Mindful Moment Room”, que em uma tradução livre, pode significar “Sala do Momento de Meditação”. Como o próprio nome sugere, trata-se de um mecanismo simples: desacelerar e meditar. A proposta é fazer a criança pensar, mas não no sentido punitivo ou moralista, mas sim em relação à reflexão interior.

Para criar um ambiente acolhedor, a sala do programa é decorada com luzes baixas, almofadas e artefatos coloridos e relaxantes. Após adentrar o local, as crianças são motivadas a fechar os olhos, respirar e se reconectar consigo mesmas. Durante o processo, o aluno pode falar sobre o que houve e estimular a memória.

A meditação com atenção plena tem sido alvo de diversos estudos científicos que apontam para resultados interessantes, como expansão da concentração, incremento da memória e melhora das capacidades emocionais para lidar com situações de estresse e trauma.

Fontes:
https://catraquinha.catracalivre.com.br/geral/cuidar/indicacao/escola-americana-substitui-castigo-por-meditacao/

Finlândia: um exemplo educacional

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A educação tradicional tem sido cada vez mais questionada a nível mundial, seja por pesquisadores ou educadores. Velhas práticas já não têm mais espaço dentro de um mundo em constante mudança e que busca o futuro a cada instante. E a Finlândia, um dos melhores exemplos a ser seguido na área educacional abriu recentemente as portas da “escola do futuro”, um prédio pensado detalhadamente para abrigar um novo tipo de ensino.

Ao adentrar as estruturas da escola, a diferença é percebida logo de cara: enquanto a dureza, o desconforto, a austeridade e o tédio ainda são regras arquitetônicas e decorativas de muitas instituições de ensino, o colégio Saunalahti, localizado na cidade finlandesa de Espoo, parece um museu convidativo a entrar e desfrutar de seus espaços. E ele foi pensado para ser justamente diferente dos padrões atuais.

Além das salas, o prédio também tem clube estudantil, teatro, restaurante, biblioteca, ginásio de esportes e outras atrações. Na escola os alunos podem se sentar onde quiserem e são estimulados a se comunicarem e participarem das aulas, que são quase em sua totalidade realizadas em grupos de trabalho. Dificilmente os alunos se sentirão desconfortáveis, já que suas poltronas são reguláveis, confortáveis e adaptadas para o uso de laptops conectados a uma rede própria, substituindo as lousas.

Nos recreios, as crianças têm a sua disposição um parquinho devidamente equipado e ao ar livre, com espaços para práticas de esportes. Ao fim do horário escolar, a escola vira um grande centro para todos os moradores do bairro, trazendo, dessa forma, a comunidade para dentro da escola.

A escola é rodeada de amplas janelas, integrando a área externa e o meio ambiente ao seu interior. Isso ajuda a diminuir os níveis de estresse, comum no ambiente escolar. Além disso, os prédios são desenhados para que ninguém se perca, com zonas destinadas a cada faixa etária, pintadas em cores diferentes, a devida e discreta segurança, mas sem barreiras ou maiores proibições de circulação. O objetivo, por fim, é simples: tornar novamente estimulante e prazeroso o nobre ato de aprender.

Não pra menos, hoje o país ocupa a 12ª posição no Pisa, o principal exame internacional de educação. O Brasil, por exemplo, ficou na 58ª posição do ranking, entre 65 países. A Finlândia é também conhecida por ser “uma das líderes mundiais em performance acadêmica” e se destaca pela igualdade na educação, alta qualificação de professores e por constantemente repensar seu currículo escolar.

Fontes:
– http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150807_finlandia_professores_brasileiros_pai
– http://www.hypeness.com.br/2016/08/a-escola-do-futuro-acaba-de-ser-aberta-na-finlandia-e-e-incrivel/

Em meio à tanta tecnologia, a natureza também merece atenção

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A cada dia que passa, novas tecnologias surgem e surpreendem pelas inovações e por suas aplicações. A passos largos andamos em direção a soluções avançadas a inúmeros problemas e, em contraponto a este progresso tecnológico, muitas vezes o meio onde vivemos e a natureza que nos cerca, acabam ficando em segundo plano. Mas em meio a tudo isso, sempre encontramos exemplos de como ainda existem pessoas engajadas a mostrar a importância, da preservação ambiental, às crianças. É o que vem acontecendo em diversas escolas de Campo Grande.

Do pneu reciclável ao cultivo de uma planta, a intenção é devolver, de alguma forma, aquilo que recebemos da natureza e ainda desenvolver o empreendedorismo. Na Escola Fauze Scaff Gattass Filho, os alunos tem contato com o plantio de mudas em uma pequena estufa de garrafas pet. De 2015 para cá o projeto foi sendo construído, ganhando um canteiro e captação da água da chuva. Isso gerou uma transformação social refletida nos pais dos alunos, que também estão fazendo hortas em casa e respondem a questionários sobre o desenvolvimento de mudas.

As estruturas das estufas são duas: uma de 20 por 8m² e outra de 4 por 3m². Entre as mudas do plantio estão alface, rúcula, beterraba, cenoura, coentro, quiabo, couve e berinjela. A distribuição destas mudas trouxe melhorias da qualidade de vida, com pessoas falando da alegria e satisfação de consumirem aquilo que produziram.

O projeto também atua com a renovação dos recursos naturais, como o reaproveitamento de água. A chuva é captada na caixa d’água e irriga a horta, por exemplo. Existe também a captação da água com um minicircuito logo na entrada, bombas e mangueira. Outras disciplinas também se utilizam do projeto, como professores de inglês que utilizam as verduras para colocar legendas e ensinar o idioma. Nas aulas de geografia, ao falar do adubo, a horta é o exemplo. Português, matemática e história também possuem espaço para as aulas e o plantio serve como exemplo.

Fontes:
http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul/noticia/2016/09/alunos-em-ms-devolvem-recursos-natureza-com-plantio-e-reciclagens.html

Descubra se o aluno está prestando atenção em aula

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Reter a atenção dos alunos, em sala de aula, nem sempre é fácil. Muitas vezes é difícil de entender porque isso acontece e a frustração acaba atingindo o educador. Porém, na China, um professor de ciências encontrou um método para que pudesse identificar se os alunos estão interessados na aula.

Tudo começou quando Wei Xiaoyong, da Universidade de Sichuan, decidiu utilizar um dispositivo de reconhecimento facial para registrar a assiduidade dos alunos, há cerca de cinco anos. Isso serviu de partida para que professor, através desta mesma tecnologia, pudesse aproveitá-lo para determinar o grau de interesse dos alunos.

Para isso, Wei colocou câmeras estrategicamente posicionadas na sala de aula que registram e conseguem identificar as várias reações dos alunos. De acordo com o professor, o sistema de algoritmos detecta as alterações de humor de cada um, mostrando se estão envolvidos, com um postura neutra ou simplesmente distraídos.

O professor decidiu partilhar esta técnica com colegas e amigos, que também dão aulas em universidades chinesas, e espera agora que este método possa ajudar outros profissionais da área.

 

Fontes:  Zap 

Pais bem informados sobre os filhos diariamente

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No corrido cotidiano de muitas famílias, inúmeras vezes torna-se difícil o acompanhamento diário dos filhos na escola. Os horários não batem e os pais acabam não tendo informações completas sobre a participação e presença das crianças em sala de aula. Nessas horas, a tecnologia pode ser benéfica e levar soluções como a encontrada no CEAV Jr., no Distrito Federal.

Escola especializada em ensino infantil, o CEAV Jr. implementou, aos pais de alunos da instituição, um aplicativo no qual recebem informações diárias que retratam o comportamento, higiene, saúde, alimentação, banho e sono dos filhos.

Em funcionamento nas duas unidades da escola, em Taguatinga/DF e Águas Claras/DF, o aplicativo conta com adesão de 86% dos 900 pais que mantém filhos matriculados. Conforme o analista de Marketing do CEAV Jr., Otávio Martins, o aplicativo está em fase de adaptação com os pais. Para a mãe de uma estudante, Tula Fernandes, por várias questões a ida à escola se torna impossível. Mas, graças ao chat do app, ela pode conversar com os professores, com respostas rápidas às perguntas sobre seu filho.

No aplicativo, os professores preenchem, diariamente, informações sobre a rotina da criança. Esses dados são enviados em tempo real para os responsáveis, que recebem notificações no celular e por e-mail. Além disso eles podem ver notícias da unidade escolar como eventos, datas comemorativas, reuniões e agenda das crianças.

 

Fontes: Jornal Dia a Dia 

O aluno é protagonista

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Lupercio Aparecido Rizzo é professor e deu aulas de filosofia para alunos do Colégio ESI São José, de Santo André/SP, por anos. Sua preocupação é sempre formar cidadãos que vivenciem os problemas, e não apenas realizar um estudo para depois elaborar uma redação explicativa, por exemplo. Seu intuito oferecer aos estudantes situações que possam, de fato, desenvolver a característica de terem autonomia e causar impacto na sociedade. Foi com base nestes pensamentos que, ele e a coordenação da escola, desenvolveram uma atividade na qual alunos tivessem, de fato, intervenção na sociedade, na cidade e no entorno.

O professor, no primeiro semestre daquele ano, apresentou aos alunos o que é ser protagonista e intervir na sociedade. Além disso, lecionou aula de metodologia de pesquisa, de pesquisa científica e de análises quantitativas e qualitativas. Após as férias escolares, os estudantes dividiram-se em grupos e receberam a missão de ir para a rua ou para o entorno de casa/escola para encontrar situações que não os deixasse satisfeitos. Lupercio usou como “combustível” da pesquisa, o seguinte questionamento aos adolescentes: “como vocês podem potencializar algum tipo de mudança?”.

Os alunos foram às ruas, entrevistaram pessoas, pensaram em dinâmicas de trabalhos diferentes e propuseram alternativas para problemas que antes eles só viam como “alguém tem de cuidar disso”. Por exemplo: em Mauá, cidade próxima a Santo André, existe um lixão. Um grupo de alunos quis falar sobre biogáse a possibilidade da cidade usar a biomassa para produzir energia e gerar combustível para os ônibus. Eles precisaram procurar um professor de química e outro de economia, e Lupercio foi um tutor para a montagem do trabalho.

Já outro grupo escolheu falar sobre trânsito. Os alunos fotografaram, filmaram e fizeram anotações sobre o trânsito em volta à escola e descobriram, por exemplo, que ela tem um fluxo diário de 2500 carros. A partir disso, estudaram formas de reduzir esse grande impacto provocado pela utilização deste meio de transporte. Houve outros estudantes que resolveram criar um aplicativo intitulado “Animais em apuros”, que reúne ONGs, veterinários, serviços públicos e pessoas que tem interesse na busca por animais desaparecidos. A ideia era a seguinte: quem visse um bichinho na rua, poderia tirar uma foto e publicar no aplicativo, que então informava toda a rede cadastrada como fosse um alerta no celular, que ficaria piscando até que alguém socorresse o animal.

Ao final do processo, havia cerca de 30 trabalhos. Foram produzidos banners em formato acadêmico e realizadas apresentações para uma banca, composta pelo próprio Lupercio, outros professores, coordenadores e diretora da escola. No total foram escolhidos 5 grupos, que apresentaram suas pesquisas para a comunidade, famílias, representantes de ONGs e até para vereadores e secretários de educação.

 

Fonte: Porvir

Cartas Trocadas, Histórias Compartilhadas

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A tecnologia nunca se fez tão presente em nossas vidas como atualmente. Os efeitos positivos são inúmeros, inclusive para a educação. Semanalmente trazemos a vocês, exemplos de como ela traz diversos benefícios, com aplicativos que auxiliam na aprendizagem e no ensinamento, jogos interativos e plataformas de informação. Apesar de grandes conquistas, o avanço tecnológico também tem seu lado negativo, como a escrita errada do português, observada em escolas de Jáu/SP. A resolução do problema não acabou o progresso, mas trouxe de volta uma famosa forma de comunicação: a troca de cartas.

O hábito, que no passado era muito comum, começou a ser vivenciado por alunos de escola na cidade. A ideia surgiu quando professores perceberam que as crianças estavam escrevendo muito errado, trazendo, muitas vezes, a linguagem de conversa no computador e celular, para as matérias do colégio. Conforme a diretora da instituição, Adriana Rosseto, “o objetivo é que se crie o gosto pela leitura e escrita, e isso tem dado muitos resultados. Houve a percepção que as crianças do mundo atual tem muito interesse pela tecnologia, mas quando foram apresentadas as cartas para eles, ficaram fascinados, com a expectativa da chegada da carta do colega”.

O projeto, intitulado “Cartas Trocadas, Histórias Compartilhadas” ultrapassou os muros da escola e, alunos de 13 colégios do município, já se correspondem entre eles, trocando ideias sobre a vida, com base nas histórias do escritor Monteiro Lobado. A ideia é adorada pelas crianças e toda semana tem cartinha nova sendo escrita, e chegando também. Um dos estudantes, Marcos Galacini, disse, entusiasmado, que “quando começa a escrever a carta, percebe que vai mudando muito de quando se está no computador”. Já Yasmin Raíssa falou sobre quando sua mãe morava em sítio e a única comunicação que tinha com lugares mais distantes, era através de cartas.

Após mais de seis meses de troca de mensagens, os alunos tiveram um encontro com os outros com quem se comunicavam via cartas. Foi realizado um evento no shopping da cidade, reunindo todos os estudantes e com atrações relacionadas ao mundo descrito por Monteiro Lobato nos livros.

 

 

Fontes: Globo 

Superando as dificuldades

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A educação pública brasileira sempre sofreu com a falta de estrutura e o descaso dos responsáveis. Enquanto muitas escolas particulares oferecem aos seus alunos ambientes adequados para aulas teóricas e práticas, o professor do ensino público é penalizado com condições inapropriadas para muitas matérias. Nessa hora muitos educadores utilizam de sua criatividade (e até de dinheiro do próprio bolso) para oferecer aos estudantes o conhecimento necessário. É o caso de Patricia Guedes Nogueira, que dá aula em Porto Velho.

Ela tinha um conteúdo sobre genética, que estava previsto no cronograma do terceiro ano do ensino médio. O problema era que a escola onde leciona não possui laboratório de ciências para oferecer aulas práticas. Aliado a isso, a maioria dos alunos não tinha conhecimento sobre quais eram seus tipos sanguíneos e não entendiam, por exemplo, que “O” é doador universal. Apesar de todas estas circustâncias, o sonho de cursar medicina na faculdade, por grande parte dos estudantes, fez ela tomar uma atitude.

Como o ENEM, por exemplo, tem frequentes (e desafiadoras) questões sobre tipagem sanguínea, a educadora utilizou o fato de também ser bióloga para comprar materiais necessários para coleta, afim de oferecer experiência prática. Ela adquiriu uma caixa de lâminas, lancetas (que servem para fazer o furo no dedo), luvas, álcool, algodão, e os reagentes anti-A, anti-B e anti-rh, que custam no total R$ 110.

Patricia primeiramente apresentou a teoria. Após, foram realizados exercícios do ENEM, para posteriormente passar um vídeo que mostra o passo a passo desse exame realizado em um laboratório. As imagens explicavam o que cada elemento faz, o que é uma lanceta, o que é uma lâmina, e como os soros funcionam. Depois do conhecimento adquirido, foi a vez de encanar a parte prática. Para isso, cada aluno realizou a tipagem do colega: furavam o dedo, colocavam as gotas de sangue na lâmina e usavam os reagentes.

A prática consolidou o que foi visto na teoria, como o tipo A e o tipo O são os sangues mais comuns na população brasileira, por estarem relacionados a mestiçagem. Foi identificada uma grande quantidade de alunos com tipo O, o que serviu de oportunidade para Patricia chamar a atenção quanto a falta de doações em bancos de sangue, mesmo este tipo sendo tão comum.

 
Fonte: Porvir