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Por que ensinar programação na escola?

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Muitos professores só de ouvirem falar em fazer uso das Tecnologias da Comunicação e Informação (TIC) já começam a suar frio. Agora imagine se a sugestão for ensinar programação? Antes que você pare de ler, adiantamos que o bicho não é tão feio quanto parece e – pasmem – em algumas situações você pode ensinar a programar sem ter que usar um computador.  Para perder o medo e ajudar a ter coragem para dar os primeiros passos no assunto, Charles Niza, mestre em engenharia da computação e consultor em tecnologias educacionais, responde algumas perguntas que muitos de vocês já devem ter feito sobre o assunto.

Por que ensinar programação na escola?

“O ensino de programação para crianças e adolescentes tem crescido exponencialmente no Brasil e no mundo. Além do surgimento de escolas especializadas, muitos colégios têm a proposta em suas atividades curriculares. O ensino de programação é importante porque estimula a criatividade, a autonomia e desenvolve o raciocínio lógico e a capacidade de resolução de problemas e trabalho em equipe, habilidades muito valorizadas no século 21.”

Como essa linguagem pode ajudar no ensino das diferentes disciplina?

“A programação pode estar nas escolas de diversas maneiras. É possível ensinar programação ou ensinar com programação. Em algumas escolas, ela faz parte da grade curricular como uma disciplina à parte. Em outras, como atividade complementar, realizada em oficinas no contraturno, geralmente uma ou duas vezes por semana. Há professores que utilizam a programação como ferramenta para trabalhar conteúdos e explorar determinados temas. Quando ensinada de forma contextualizada, a programação pode ser uma grande aliada no ensino das disciplinas básicas, como português e matemática. Um professor de matemática, por exemplo, pode utilizar a programação no estudo do espaço e das formas no campo da geometria e no estudo dos números e das operações no campo da aritmética. Enquanto um professor de língua portuguesa, por sua vez, pode utilizar a programação como ferramenta de suporte no processo de alfabetização e letramento. Independentemente da forma, o importante é que o ensino de programação nas escolas não seja visto como fim em si mesmo, mas como uma nova forma de expressão e principalmente, como uma maneira de aumentar a aproximação e o envolvimento do aluno com o conhecimento.”

Posso ensinar programação sem saber programar?

“Para ensinar programação para crianças, o professor não precisa ser programador ou especialista, basta ter afinidade com informática, interesse pelo tema e vontade de aprender. O primeiro passo é buscar conhecer e explorar ferramentas que foram desenvolvidas para o ensino de programação para crianças. Elas são simples e fáceis de serem aprendidas. Muitas delas são gratuitas e estão disponíveis em português. É o caso do Scratch. Com o ele, qualquer professor, mesmo sem conhecimento prévio, pode ensinar programação para crianças de forma simples e intuitiva. Por meio de blocos de comandos que se encaixam como se fossem peças de Blocos de Montar, o Scratch permite a criação de jogos, animações e histórias interativas que podem ser facilmente disponibilizadas no site do projeto e compartilhadas com crianças de outras escolas. A ferramenta ajuda a dar forma à imaginação. Aí, o limite é a criatividade.”

Minha escola não tem muito acesso à tecnologia. Como faço?

“Existem diversas iniciativas que têm por objetivo facilitar a introdução do ensino de programação nas escolas. Muitos sites disponibilizam gratuitamente materiais de apoio com diversas atividades offline para estimular o desenvolvimento do raciocínio lógico e do pensamento computacional sem que seja necessário utilizar computadores ou depender de acesso à Internet. É o caso dos movimentos Programaê e Code.org, que têm por objetivo desmistificar e democratizar o aprendizado de programação. Para isso, eles disponibilizam em seus sites uma série de atividades desplugadas, justamente para professores que desejam ensinar programação, mas, não dispõem de muito acesso à tecnologia nas escolas onde lecionam.”

 

Fonte: Revista Escola

Aplicativos para ajudar você a aprender matemática

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Matemática é o pesadelo de muitos alunos. Por ser uma ciência exata, muitas pessoas têm dificuldade com essa matéria. Os professores de matemática que o digam, precisam sempre inovar nas aulas para tornar o estudo proveitoso, inovador e ao mesmo tempo divertido.

Afinal, aprender matemática pode ser sim muito divertido. Depende apenas de como o professor irá abordar o assunto em sala de aula.

Por isso separamos o vídeo abaixo, no qual listamos 5 aplicativos que podem ajudar você a criar aulas criativas e também os seus alunos a aprenderem a matéria de uma forma mais divertida! Confere:

 

Jogar videogame melhora a inteligência e o desempenho escolar de crianças

boy and a girl playing video game --- Image by © Royalty-Free/Corbis

Ao contrário do que prega o senso comum, jogar videogame pode ser muito benéfico para as crianças, segundo estudo da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

A pesquisa, publicada no periódico científico “Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology”, foi feita com base na análise dos dados de 3.195 crianças europeias entre seis e 11 anos, coletados pelo centro “School Children Mental Health Europe”.

A análise contemplou o desempenho escolar, o uso de videogames e o comportamento do ponto de vista dos pais, professores e dos próprios alunos. O resultado apontou que as crianças que faziam uso de jogos eletrônicos tinham duas vezes mais chances de terem alto desempenho na escola e melhor função intelectual.

Estudos anteriores já haviam demonstrado que o uso moderado dos jogos, em torno de uma hora por dia, poderia influenciar positivamente as crianças em seus estudos. Outras pesquisas, entretanto, apontaram que as crianças aprendem comportamentos agressivos e violentos por meio dos jogos eletrônicos.

Dessa vez, os cientistas acreditam que esse tipo de diversão também pode contribuir para que as crianças fiquem mais sociáveis e integradas à comunidade escolar. No entanto, moderação e limites continuam sendo indicados pelos especialistas.

Dentre as crianças analisadas, 20% faziam uso dos jogos durante mais de cinco horas por semana.

Já conhece a plataforma Elefante Letrado? Pois deveria!

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Em um mundo cada vez mais conectado, nem as crianças ficam longe das mídias digitais. Se antes, especialistas recomendavam que apenas os maiores de 2 anos tivessem acesso à televisão, smartphones e tablets e computadores, hoje a situação já não é mais a mesma. Os pequenos precisam apenas dos mesmos cuidados dos pais em ambiente virtual.

A Elefante Letrado lembra que o ambiente digital é apenas mais um ambiente. Ou seja, as crianças fazem as mesmas coisas que sempre fizeram, só que agora também em ambiente digital, que podem ter efeitos positivos e negativos como qualquer outro ambiente.

Já que a tecnologia faz parte das nossas vidas, é possível usar esse potencial para estimular o aprendizado. O constante acompanhamento, orientação e estímulo aos programas e sites mais adequados já fazem parte da educação.

O Elefante Letrado conta com livros, locuções, animações, jogos educativos, conteúdos pedagógicos, conteúdos nivelados de acordo com faixa etária e ano escolar, além de recursos de acessibilidade para crianças com deficiência visual, física ou com mobilidade reduzida. As crianças podem acessar os conteúdos por meio de tablets, computadores e smartphones.

A biblioteca do Elefante Letrado tem 26 níveis progressivos de A a Z, divididos de acordo com a quantidade de palavras, o número de página, a complexidade dos textos e os assuntos abordados. Para conhecer mais sobre o projeto, entre no site.

Brinquedos na sala de aula

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A gente já falou por aqui que as redes sociais e até mesmo os games podem ajudar você a planejar aulas mais criativas para os seus alunos. Os jogos educativos também podem ser uma alternativa para aulas mais atrativas para os seus alunos.

A Xalingo inclusive oferece uma grande variedade de brinquedos educativos para você usar em sala de aula com seus alunos. Assim eles aprendem brincando!

Confira alguns desses brinquedos:

Linha Interactive Play

Os jogos dessa linha da Xalingo tem a tecnologia como peça chave. Nele, com o uso do celular ou tablete, você pode ter uma interação com o brinquedo, seja soletrando palavras ou ainda reproduzindo um desenho que a criança acabou de pintar.

Brincando com letras e números

Aqui é possível ensinar com o uso do jogo as letras e números para as crianças menores. Você pode dividir a turma em grupos e dar peças para cada um deles. A partir daí iniciar um jogo super animado com a criançada!

Cubos Encaixáveis

Esse jogo pode ser bem interessante para o ensino da matemática em séries iniciais. Você pode usar os cubos para ensinar contas de soma, subtração, divisão e multiplicação de forma

10 maneiras simples para você inovar na sala de aula

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A inovação é uma das nossas bandeiras aqui no Conexão Xalingo. Acreditamos que a educação, aliada à tecnologia e a inovação, pode gerar bons frutos com crianças e adolescentes. Afinal, nada é mais importante que a educação e com as mudanças do nosso mundo é preciso acompanhar as tendências, e mais do que isso, falar a língua da criança e do jovem dentro da sala de aula.

Sabemos também que o papel do educador nunca foi tão essencial como nos dias de hoje, quando a informação está à disposição de quem quiser, mas é preciso de um mediador para que o conhecimento seja melhor aproveitado. O professor precisa estar consciente de seu papel e de como inovar na sala de aula pode tornar o seu trabalho ainda mais prazeroso e deixar as aulas mais divertidas e interessantes para os seus alunos.

Confira algumas ideias para você começar o novo ano letivo inovando desde o primeiro dia. As ideias envolvem jogos, dispositivos móveis, redes sociais e outras estratégias que podem ser aplicadas em diferentes disciplinas e etapas de ensino. Confira a lista:

– Adote novas metodologias: Experimentar novas metodologias pode ser um bom caminho para quem pretende inovar. Deixe um pouco os livros e o caderno, a educação clássica do professor à frente da turma falando sem parar. Busque conhecimento onde os estudantes mais estão: nos computadores, nas redes sociais. É nesse ambiente confortável para eles que será ainda mais prazeroso ensinar.

– Explore novos espaços: O aprendizado não precisa ficar restrito ao ambiente da sala de aula. Explore o bairro onde a escola está localizada, faça saídas de campo, viagens de estudos. Mesmo uma aula ao ar livre já irá motivar seus alunos.

– Trabalhe com as redes sociais: A gente já falou aqui a importância de colocar as redes sociais dentro da sala de aula. O professor precisa aprender a usar esse ambiente virtual a seu favor. Use e abuse do Facebook, Instagram, YouTube, Whatsapp. Traga o dia a dia dos seus alunos para dentro da sala de aula.

– Use exemplos do dia a dia: É muito importante que os alunos consigam aplicar aquilo que aprendem em sala de aula. Por isso, usar exemplos do dia a dia pode ressignificar a aprendizagem.

– Aposte nos dispositivos móveis: Com dispositivos móveis é possível desenvolver projetos criativos e divertidos. É possível fazer projetos usando a câmera do celular, leitores de QR Code, aplicativos e muito mais.

– Transforme os alunos em autores: Projetos que incentivam o protagonismo dos alunos também trazem bons resultados. Que tal criar um jornal virtual onde os alunos contam as notícias da escola ou do bairro? Além é claro de criar um livro colaborativo com a ajuda de toda a turma.

– Invista no teatro e em filmes: O teatro e o cinema podem ser boas armas na hora de criar aulas criativas e inovadoras para os seus alunos. A gente já falou aqui no blog também maneiras de usar a Sétima Arte na sala de aula com sucesso. Leia mais aqui.

– Trabalhe questões sociais e de diversidade de forma criativa: Esse é um tema que é muito atual e faz parte da vida de todos nós. Mas como lidar com esses temas com crianças e adolescentes. Pela sua seriedade, esses assuntos precisam ser abordados com leveza e ludicidade por parte do educador. Uma boa dica é sempre fazer um paralelo entre a realidade e ficção.

– Promova a empatia: O melhor exercício para respeitar o próximo é sempre se colocar no lugar do outro. Esse exercício faz bem para os alunos e ajuda para que eles entendam melhor as diferenças entre as pessoas. Apresente as diferentes realidades da sala de aula, do bairro ou da cidade onde a escola está localizada.

 – Use jogos como aliados: Por fazerem parte do universo de crianças e jovens, os games podem ser utilizados facilmente como ferramenta de promoção da aprendizagem. A gente também já falou por aqui como os games podem ser seus aliados na sala de aula.

Aplicativo ajuda a reconhecer as mais variadas plantas

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Que tal dar um incremento nas suas aulas de biologia e ciências? Muitas vezes a criançada pode achar chato estudar sobre plantas e animais apenas olhado pelos livros. Mas e se você inovar e sair a campo para explorar a natureza e mostrar inloco para os seus alunos?

Acredita-se que exista aproximadamente 298 mil tipos diferentes de plantas, sendo que mais de 215 mil já estão devidamente catalogadas. Imagina se fosse possível mostrar um pouco desse vasto mundo para os seus alunos?

O PlantNet, foi apresentado pela primeira vez em 2013, na 50° edição do encontro Paris Internacional Agricultura Show, e recebeu neste mês de abril de 2015 sua mais nova atualização. Basicamente, o programa consegue identificar uma planta ou flor para seu usuário que não sabe de qual espécime se trata.

Para fazer o PlantNet funcionar, basta tirar uma foto da planta ou flor e colocar o aplicativo para buscar a imagem correspondente em seu banco de dados. Assim que o sistema identifica a espécie que combina com a foto tirada, ela é mostrada na tela para seu usuário saber qual planta ou flor está contemplando.

O banco de dados do PlantNet, claro, não possui as 215.644 espécies em seu banco de dados. Possui muito menos, aliás, pouco mais de 4 mil, e com foco em espécies não ornamentais, mas o programa recebe atualizações e o crescimento da rede de usuários, que encaminham fotos e identificam os espécimes que conhecem, depois de validadas por uma equipe científica, só faz crescer a capacidade do PlantNet de ajudar aos amantes das plantas e das flores a conhecer um pouco mais da riquíssima biodiversidade de nosso planeta. O aplicativo está disponível pela iOS e Android.

6 maneiras divertidas para aprender, e ensinar, inglês com os seus alunos

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Está precisando de ideias para te ajudar no ensino do inglês para os seus alunos? Essa segunda língua é fundamental para vencer no mercado de trabalho, viajar, se informar e até mesmo estudar fora do Brasil.

Online é possível encontrar várias ferramentas divertidas que lhe ajudarão a aprender, e ensinar, seus alunos e tornar o aprendizado mais divertido.

Das mensagens instantâneas aos vídeos e histórias, a lista reúne maneiras criativas de aprender inglês online. Confira as dicas:

Viagens ao redor do mundo

Com mais de 450 vídeos, a plataforma Tripppin funciona como uma viagem ao redor do mundo. O usuário acompanha temporadas e episódios gravados em 12 países, passando por cidades como Londres, Berlim, Barcelona e Paris. Os vídeos tentam simular experiências pessoais de viagem, que são representadas pelos irmãos Tripp e Pin. Além de apresentar situações formais e informais do idioma, a plataforma reúne exercícios, desafios, músicas e uma rede social interna que permite interagir com pessoas de diferentes locais. Alguns vídeos e recursos são gratuitos, mas para ter acesso completo é necessário fazer um plano de assinatura. Os valores variam entre US$ 19 e 80.

Mensagens instantâneas

Disponível para as plataformas iOS e Android, o HelloTalk é um aplicativo para aprender mais de 100 idiomas com professores nativos de diversos países. Como uma espécie de WhatsApp, ele tem ferramentas que permitem enviar mensagens de texto e voz. O usuário também pode ouvir a pronúncia correta das mensagens recebidas e enviadas, além de criar um banco de dados com o vocabulário aprendido durante as conversas. O aplicativo é gratuito.

Videoaulas com Star Wars 

Baseado nos filmes de Star Wars, o minicurso gratuito ensina diferentes tópicos de inglês e expressões idiomáticas a partir de trechos com cenas famosas. Desenvolvido pela startup brasileira Backpacker, o curso ainda conta com uma ferramenta de reconhecimento de voz para praticar a pronúncia.

Filmes e músicas

O site English Attack! reúne trechos de filmes e músicas que ajudam a treinar o idioma. As mídias são acompanhadas por exercícios, jogos, atividades de compreensão auditiva e itens de vocabulário. A plataforma é paga, com opções de assinatura mensal, semestral anual ou bienal, entre R$ 35.90 e R$ 357.60. Também existem planos voltados para professores, escolas e empresas.

Histórias em quadrinhos 

O jogo Speaking Comics, criado pela escola de idiomas CNA, ajuda a praticar a pronuncia de inglês e espanhol com tirinhas. O usuário pode criar seus próprios quadrinhos, selecionando personagens, fundos e falas. Após concluir, ele também tem a opção de gravar sua voz para narrar a história e compartilhar nas redes sociais. O game é gratuito.

Vídeos curtos para qualquer tempo livre

Do iniciante para avançado, a plataforma Pow eLearning possibilita aprender diferentes tópicos gramaticais de inglês, como tempos verbais e advérbios, por meio de vídeos gravados por alunos e professores de diversas nacionalidades. Com vídeos de menos de 1 minuto, a plataforma gratuita pode ser acessada em qualquer tempo livre e ajuda a treinar a compreensão auditiva, proporcionando o contanto com falantes nativos e sotaques variados.

Fonte: Por Vir

Animação brasileira indicada ao Oscar serve de tema para projeto escolar

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‘O Menino e o Mundo’, de Alê Abreu, deu origem a trabalhos que foram apresentados por alunos do ensino fundamental em uma mostra cultural. Leia abaixo o relato da professora Rosângela Queiroz.

“Estou na sala de aula há mais de 20 anos. Sempre trabalhei com projetos, mas o trabalho do ano passado, em especial, mexeu muito comigo. No final de 2014, durante uma conversa na sala dos professores [do Colégio Johann Gauss, em São Paulo], uma colega perguntou se eu já tinha assistido ao filme “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu. Eu já tinha visto alguns filmes desse diretor, mas ainda não conhecia essa animação.

A professora comentou que tinha lido uma notinha em uma revista e achou interessante, mas ainda não conhecia o filme. Enquanto ela falava, outro colega entrou na sala dizendo que já tinha visto no cinema. Ele mostrou uma paixão tão grande, que até nos emocionamos. No dia seguinte, o professor apareceu na escola com o DVD para que pudéssemos assistir.

Logo que vi o filme, pensei na minha turma do terceiro ano. A animação tinha tudo a ver com os conteúdos que iríamos trabalhar em 2015, porque envolvia a visão de mundo deles. O filme mostra um pouco disso, fala da história de uma criança [que deixa sua aldeia em busca do pai] e mostra essa questão da identidade. Dentro da proposta temática sugerida pela escola para aquele ano, que era “À Luz da Reflexão”, fizemos o projeto “Eu e o Mundo”, em que trabalhamos a história de cada um deles.

Começamos o projeto apresentando aos alunos o tema gerador daquele ano letivo, que era trabalhar com o conceito de ideias, mudanças ou até mesmo energia. A partir do assunto sugerido pela escola, explicamos como chegamos ao tema que seria desenvolvido pelos terceiros anos. Após discutir o que cada criança tinha entendido sobre o assunto, assistimos ao filme e fizemos uma roda de discussão. Repetimos isso umas duas ou três vezes, porque sempre conseguíamos captar uma situação nova. Tentávamos estimular que eles falassem qual foi a cena que mais gostaram e o que sentiram.

Durante o ano, também fomos construindo um portfólio com eles. Cada criança tinha o seu e precisava registrar tudo o que estava conhecendo do filme. Aqui no colégio, quando desenvolvemos um projeto, procuramos abranger todas as áreas de conhecimento. Traçamos uma linha do que será desenvolvido em português, matemática, história, geografia, ciências e artes.

Com a trilha sonora do filme, trabalhamos música e os alunos se apaixonaram pelo grupo Barbatuques. Em geografia, vimos a questão do espaço – do quarteirão ao bairro, do bairro ao município. Na matemática, os alunos criaram jogos com percursos temáticos para o personagem Cuca (do filme) percorrer.

Na aula de artes, procuramos relacionar o filme com o trabalho de algum outro artista. Lembramos da artista plástica paulistana Nina Pandolfo, que desenha aquelas meninas com os olhos arregalados. As crianças amaram, fizeram suas releituras e até acharam que a personagem poderia se tornar uma amiga para o Cuca. No meio do caminho também surgiram algumas coisas que foram sugeridas pelas próprias crianças.

Em outubro, apresentamos os resultados do projeto em uma mostra cultural do colégio. Enquanto estavam desenvolvendo o trabalho, os alunos trouxeram uma questão muito forte que era do reaproveitamento de materiais. Com isso, tivemos a ideia de juntar garrafas PET para construir pufs. Eles seriam utilizados para que as pessoas pudessem sentar e apreciar tudo no dia da mostra.

Algumas cenas do filme foram muito marcantes para os alunos. Tem uma que mostra o menininho subindo os degraus de um lugar que ele está morando, que parece ser uma favela. A cada degrau que sobe, ele olha algumas portinhas que representam situações do cotidiano. As crianças não identificaram exatamente o que era em cada portinha, mas elas falaram algumas coisas que imaginavam.

Para representar essa cena na mostra cultural, fizemos várias discussões sobre dificuldades que as crianças encontravam na vida delas. Elas desenharam degraus e fizeram um bonequinho para escrever sobre dificuldades que estavam superando ou que tinham superado na vida. Foi uma parede simples da exposição, mas que emocionou muito as pessoas. As crianças realmente se colocaram naqueles desenhos, na sua forma mais íntegra.

É difícil falar de uma parte do projeto que mais chamou a atenção dos alunos. Eu acho que foi quando construímos um boneco Cuca. Com ajuda da professora Sandra Muths, que desenvolveu todo o projeto comigo, fizemos um boneco com potes plásticos, tecidos e barbantes. Quando chegamos com ele em sala de aula, foi um momento mágico.

Propusemos que as crianças levassem o boneco para casa e fizemos um sorteio. Cada criança cuidava do Cuca por alguns dias e tinha que ensinar alguma coisa da sua vida para ele. Os alunos carregavam o boneco para todos os lugares. Eles levavam para a casa da vó, o almoço, a consulta médica. Quando eles tinham que passar o Cuca para outro colega, escreviam uma cartinha contando o que tinham feito naqueles dias. No final, como isso ficou muito forte, sugerimos que as crianças, com ajuda da família, construíssem um boneco Cuca em casa.

O projeto teve a participação de quatro salas de terceiro ano do ensino fundamental. No dia da mostra cultural, uma produtora executiva do filme nos visitou, porque era tia de uma aluna de outra série e ficou sabendo sobre a mostra. As crianças ficaram encantadas com a presença dela.

Foi uma alegria muito grande saber que “O Menino e o Mundo” foi indicado ao Oscar. Eu já assisti ao filme umas 20 ou 30 vezes, mas sempre descubro coisas novas. Ele traz inúmeras questões. Se a estatueta vier ou não, a indicação já significa que ele foi reconhecido com um material excelente, que pode ser trabalho em diferentes faixas etárias.”

 Fonte: Por Vir

Professora usa videogame para ensinar história

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Confira o relato da professora Marili Bassini. Ela é graduada em história com mestrado em história cultural e doutorado em educação (fase final). É professora há 20 anos, com experiência em todos os níveis de aprendizagem. Atualmente, atua no ensino médio e no ensino superior e inovou com seus alunos ensinando história com a ajuda do videogame.

“Eu já participei de vários programas de formação de professores dentro da Unicamp. Sempre discuti a questão do que fazer de diferente na educação com o Fernando Arantes e a Miriam Oliveira, que são meus parceiros e coordenam o grupo de Projetos Especiais para Inovação Educacional. A partir disso, resolvi tentar algumas experiências na disciplina de história com os meus alunos de ensino médio. Para criar um projeto, sempre tinha aquele pensamento de aproximar a prática da realidade deles.
Observando o interesse dos alunos por jogos, eu comecei a perceber que eles tinham um fundamento histórico que poderia ser explorado em sala de aula de uma forma diferenciada, incentivando os estudantes a pesquisarem sobre o período tratado no jogo.

Como eu também gosto muito de jogos e estamos em um momento privilegiado graças à variedade de títulos disponível no mercado, eu propus aos alunos que estudassem o conteúdo e a partir deles, na sequência, montassem vídeos.
Logo no início, eles já sugeriram vários jogos que poderiam ser utilizados no trabalho (Revolução Francesa em Assassin’s Creed, Segunda Guerra Mundial em Mundial em Battlefield 2). A única obrigatoriedade era o fundamento histórico. Depois de jogar em casa, tinham que trazer para mim uma lista de pontos que tinham observado no jogo, como arquitetura e figurino dos personagens.

Eu orientava a pesquisa a partir dos pontos que chamavam a atenção deles, indicando sites e temas de estudo. Eu também passava fontes na internet que não tinham informações fidedignas. Assim, eles aprenderam a refinar a busca. A primeira pergunta que fazem agora é “mas quem escreveu”? Depois de um tempo, esse processo ficou natural, e eles aprenderam a questionar a informação.

Para finalizar, nós fizemos um dia de apresentações, com uma banca de professores para avaliar o contexto histórico, a metodologia de pesquisa e a forma como apresentaram o jogo no vídeo. Nesse dia, aconteceu uma coisa que eu nunca tinha visto em 20 anos de profissão. Quatro grupos de alunos (dentre os 18 que estavam apresentando) me procuraram e pediram para tirar o trabalho deles da apresentação, alegando que queriam refazê-lo, já que tinha ficado inferior aos outros que estavam sendo exibidos. Por essa capacidade de autoavaliação, eu achei que o processo todo já tinha dado certo.

Só pelo fato do projeto envolver jogos, os alunos já têm um olhar diferente. Um deles veio me falar: “Professora, eu espero há cinco anos para fazer um trabalho assim”. A leitura e interpretação de texto melhorou muito; a própria espacialidade melhorou, eles já conseguem montar na cabeça uma sequência histórica e entender que um fato está ligado ao outro. Além disso, eles passaram a olhar para o jogo de forma diferente, questionando algumas coisas que antes passavam desapercebidas.”

Veja o vídeo do projeto:

Fonte: www.porvir.org