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“Criança não namora”

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A Secretaria de Assistência Social do Amazonas organizou uma campanha que está tendo uma repercussão muito maior do que esperavam. Pais e mães de todo o país estão compartilhando nas redes sociais publicações sobre a ação “Criança não namora”, que discute a erotização precoce.

 

Lançada no início do mês de abril, a campanha “Criança não namora, nem de brincadeira” ganhou as redes sociais e a hashtag #criancanaonamora se espalhou rapidamente, em apoio à temática discutida por ela. A ação é uma parceria do governo do Amazonas com o blog Quartinho da Dany e faz parte de um projeto mais amplo, que visa ainda mobilizar escolas, comunidades, psicólogos e pais contra qualquer forma de exploração infantil.

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É comum em algum momento as crianças voltarem da escola e falarem que estão ‘namorando’ com algum coleguinha. Pais e professores nem sempre sabem como agir nessa situação. E, de fato, o quadro é mais complexo do que parece, pois as crianças geralmente reproduzem o comportamento dos adultos ou o que são incentivadas a fazer e dizer. Ou seja, o problema é de toda a sociedade, que acaba estimulando uma erotização precoce das crianças.

 

Especialistas alertam que é preciso respeitar cada etapa do desenvolvimento cognitivo da criança pois ela ainda não sabe o que é um namoro e não possui maturidade para compreender tudo o que envolve um relacionamento entre adultos. Daí ser normal meninos e meninas terem repulsa ao presenciar beijos entre os adultos. As demonstrações de afeto que a criança recebe em casa – abraço, beijo no rosto – são suas ferramentas afetivas para com os amiguinhos também e não devem ser deturpadas pela interpretação erotizada dos adultos.

 

Outro ponto importante neste cenário é o machismo, que transparece no incentivo que muitos pais fazem aos meninos para terem uma (ou várias) ‘namoradinhas’ na escola, enquanto que as meninas são orientadas a ‘se comportar’. Isto é muito nocivo para o desenvolvimento das crianças, pois perpetua uma conduta questionável e inadequada à maturidade delas. Quando os pequenos demonstram algum interesse ou preferência por determinados amigos, também é comum os adultos fazerem uma errônea interpretação erótica, quando na verdade a criança está apenas aprendendo a se relacionar e fazer amigos. Enxergar isto como namoro é uma projeção equivocada dos adultos.

 

Infância é para a criança brincar, aprender, se desenvolver e exercitar seus comportamentos. Quando se faz essa interpretação erotizada precoce, estamos pulando etapas no aprendizado e a criança irá apenas reproduzir comportamentos, sem verdadeiramente compreender e sem desenvolver a maturidade para eles. Nem adultos, nem crianças precisam apressar a hora de namorar nos pequenos – ela vai chegar, não é preciso estimular isto tão precocemente. Mais do que educar as crianças, é preciso reeducar os adultos – pais, família e professores – para entender e respeitar o universo infantil, sem aplicar projeções e julgamentos da vida adulta.

 

 

Fonte: Revista Crescer

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